Reitor ouve críticas de estudantes da UFSC em Araranguá




27/09/2011
Um ano, um mês e 16 dias. Este é tempo exato desde a última visita do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Alvaro Toubes Prata, ao campi Araranguá. A data foi lembrada e questionada ontem à tarde pelo estudante do curso de Tecnologia da Informação e Comunicação, João Carlos Cichaczewski, 20 anos. No encontro denominado 'bate papo com o reitor', os estudantes puderam desabafar e expor suas principais dificuldades em uma sala lotada. Houve unanimidade de que a interiorização da UFSC vem sendo bem recebida pela população. Ao mesmo tempo, os estudantes levantaram uma série de demandas que precisam urgentemente ser atendidas, tanto em termos de infraestrutura física e de laboratórios quanto em profissionais.
Para o estudante Paulo Henrique Cardoso, do curso de Técnologia da Informação e Comunicação, uma das turmas com maior número de representantes na reunião, falta um olhar mais carinhoso ao campi Araranguá. Segundo ele, o prédio que hoje abriga cerca de 500 alunos não possui capacidade para tanto. A situação deverá ficar ainda mais crítica, quando no próximo semestre outras 150 pessoas ingressarem nos quatro cursos que são oferecidos pela universidade.
Outra fragilidade apontada pelos estudantes é que os professores estariam com sobrecarga de trabalho, o que estaria comprometendo a qualidade do ensino e dificultando o setor de pesquisa e extensão. Os alunos questionam ainda a capacidade técnica de alguns professores que estão em sala de aula e não teriam condições e nem conhecimento para ministrar as aulas. "O problema persiste há mais de um ano. A Universidade Federal está comprometendo os nossos estudos e acima de tudo o sonho de nos tornarmos bons profissionais," desabafa Paulo.
 
Falta laboratório
O curso de Fisioterapia também recebeu duras críticas por parte dos alunos. Segundo a estudante do segundo semestre, Daniele de Cristo, as aulas práticas estão acontecendo em laboratório onde existem apenas bonecos resinados e os alunos precisam se deslocar até outra instituição de ensino para ter acesso. A falta de laboratórios também foi apontada pelos demais cursos. Tecnologia da Informação e Comunicação, Engenharia de Energia e Engenharia de Computação se levantaram contra a falta de laboratórios para exercer as atividades práticas.
O reitor reconheceu as inúmeras falhas e prometeu envidar esforços no sentido de corrigi-las. A falta de professores foi outro ponto crítico apontado. A situação é tão grave, que algumas turmas estão sem aula. Exemplo disso são as disciplinas de informática na educação e educação à distância, que apesar de pré-requisito para outras fases do curso, não estão acontecendo porque a professora está licenciada por motivos de saúde.
O diretor do Campi Araranguá, Sérgio Peters, afirmou que abriu vaga para professor temporário, mas não surgiram interessados. O reitor afirmou que este não é um problema exclusivo de Araranguá e atribuiu a culpa à burocracia e falta de autonomia para realizar concurso para o provimento de vagas. Os estudantes temem agora que as 13 disciplinas optativas que serão ofertadas no próximo ano não tenham professores, a exemplo do que já acontece agora.
A construção do novo conjunto de prédios também rendeu denúncia por parte dos estudantes. Eles afirmam que o valor para a obra já está liberado a mais de um ano e por causa do atraso no projeto de esgoto e iluminação, houve também atraso na abertura do processo licitatório. O reitor reconheceu a falha, mas garantiu que até o final do ano será conhecida a empresa que construirá a área de quatro mil metros quadrados, quase o dobro da existente hoje. É neste local, que funcionarão os laboratórios e novas salas de aula.
O Restaurante Universitário foi alvo de graves críticas. Segundo os estudantes, para fazer as refeições é preciso caminhar cerca de 1,5km e a comida servida não tem qualidade. Aos domingos, diferente de outras unidades, os estudantes reclamam que não tem direito a alimentação e cobraram esse benefício. Ao final, Prata pediu compreensão e evidenciou aspectos positivos da instalação da universidade na região.
Fonte: Correio do Sul

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3 comentários:

  1. O que me preocupa é que nada que definitivamente resolva nossos problemas foi apontado, ou sequer mencionado, só nos foi pedido paciência, calma e compreensão... Isso realmente me preocupa muito.

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  2. pelo menos ele apareceu! gostaria muito de ter participado!

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