36 horas de Acampamento, Alguém ainda não sabe POR QUE?

   Em Araranguá-SC, existe um campus da UFSC criado por ocasião da adesão da referida Universidade ao REUNI. Este Campus, bem como os outros dois da UFSC fora da capital: um em Joinville e outro na cidade de Curitibanos, sofre com enormes problemas originados por vários fatores.
   Por causa do corte de verbas do REUNI e da tardia adesão da UFSC a tal programa, sofremos com:
- Falta de espaço físico. Salas de aula lotadas e escassas, e uso de laboratórios, quando os há, externos ao campus. Por esse motivo, também não temos nenhum espaço reservado a Cultura no campus. Também nao temos sala para encontros de discentes, como sala do Centro Acadêmico, por enquanto nos viramos com uma sala de aula que fica vaga no período vespertino.
- Falta de quadro docente, ocasionado pelo cancelamento de concursos previstos para o início do ano por ocasião do corte de verbas efetuado pela Casa Civil. Temos aqui comprometidos os pilares de qualquer Universidade. Pesquisa e a Extensão prejudicadas pela falta de tempo dos docentes que tem como prioridade o Ensino, que também sai prejudicado por conta de que cada professor tem de se desdobrar em dois ou três para que não haja disciplina sem professor, aceitando inclusive, ministrar aulas fora da sua especialização, que aqui foram chamados de professores "Band-aid", ou seja, apenas remediam, jamais solucionam, claro que não por culpa própria pois confiamos plenamente na capacidade de todos de serem bons nas suas áreas.
   Porém, existem problemas originados por conta da falta de planejamento da própria UFSC, como já cansamos de citar, de Ordem Básica à permanência e boa formação de todos os estudantes, tais como:
- Falta de moradia Universitária, causando o crescimento da especulação imobiliária na cidade.
- Falta de Restaurante Universitário nos finais de semana e feriados, o que todos, como estudantes da UFSC, temos garantido por estatuto e aqui não é cumprido.
- Biblioteca defasada. Apenas livros de cunho técnico e pouquíssimos periódicos e outros tipos de mídia o que dão um caráter de, no máximo, colégio técnico a quem se propunha a ser Universidade.
   Para tanto, muitas vezes e em muitas conversas relatamos esses mesmos problemas, desde o primeiro semestre de 2010, onde a situação ainda se mostrava contornável pela quantidade de alunos. Passou-se o tempo, e com exatamente as mesmas condições, num ato de pura irresponsabilidade, criou-se mais dois cursos para o campus, o que faz com que todos esses problemas aumentem exponencialmente a cada semestre.
   Com a intenção discutirmos soluções que estão nas possibilidades da UFSC é que continuamente convidamos nosso reitor, Álvaro Prata, a nos visitar e ouvir-nos, mas esbarramos sempre em compromissos sociais do magnífico reitor que, pelo que podemos sentir, nos deixa sempre em segundo, terceiro ou quarto plano.
   Para isso estava marcada para o dia 11/08/2011, quinta-feira, uma dessas visitas onde discutiríamos todos esses problemas e tentaríamos, juntos, chegar às devidas soluções (que, com a justificativa de termos levantado os problemas, são cobradas, inclusive por colegas, única e exclusivamente do movimento estudantil do campus, demonstrando o total desconhecimento da própria situação. Se não denunciássemos os problemas eles não existiriam?).
   Mais uma vez nosso futuro ficou em segundo plano. Alegando atraso por ter perdido um voo e, se mesmo assim viesse, perderia uma formatura na parte da noite, o reitor não compareceu. Então, por percebermos a total inversão de valores num caso onde a formatura - diga-se de passagem, bom espaço para quem precisa promover-se - está a frente da formação, resolvemos, em forma de protesto, acampar em frente ao prédio do campus por uma noite.
   Seis estudantes, de 550 matriculados no campus, enfrentado, ABSURDAMENTE, resistência de alguns estudantes e professores, passaram uma noite fria e com muito vento na frente do prédio para, ao máximo que podiam, chamar a atenção de quem passava para a urgente situação.
   Às 22h00 do dia 12/08, por total exaustão dos participante e ausência de continuadores no movimento, o protesto terminou após 36 horas de acampamento com a retirada das barracas e dos cartazes que explicavam e expunham o descontentamento dos poucos que, ao que parece, veem a situação.
   O que mais impressiona é termos recebido o apoio de pessoas do país todo, como estamos publicando no blog, e de dentro de nossos próprios colegas, ter havido uma mínima expressão de adesão. Por conta disso, inciamos um novo estágio, como a situação já foi exposta e não acredito que haja dentro do campus alguém que não a conheça, retiramos todos os cartazes e cessaremos com manifestações até que mais pessoas sintam que o que está em jogo não é o futuro do reitor, nem da direção, nem dos professores que insistem num movimento contrário que mais parece favorável à própria ruína. Mas o que realmente está em jogo é o futuro de todos estes que formar-se-ão alicerçados em professores "Band-Aid" e em estruturas "Band-Aid". O medo é que aqui se formem não só profissionais - que também se formar em cursos profissionalizantes por correspondência -  mas cidadãos "Band-Aid".
   Portanto, que a partir de agora não mudem apenas os protagonistas de lutas dentro da Universidade, mas que todos nos tornemos protagonistas de nossa própria história, sem o disparate de nos voltarmos contra aquilo que está do nosso lado. Não lutemos por nossa própria decadência!

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